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Reporte de Sessão

Stonetop – Sessão 2

O grupo se reuniu cedo para organizar os preparativos antes de adentrar a Grande Floresta. Ira recolheu o saquinho de bugigangas de Sara — encontrado em sua horta após o ataque dos Crinwin — para que seus cães, Alecrim, Tomilho e Sálvia, pudessem farejar o rastro da menina desaparecida. Mantas e capas foram separadas com cuidado, pois todos sabiam que a noite esfriaria bastante caso precisassem dormir na mata. A jornada prometia ser perigosa: havia o risco de se perder, a ameaça constante dos Crinwin e a travessia de um rio antes mesmo de chegar à floresta propriamente dita.

Sara, aprendiz-sacerdotisa de Danu

Ao chegarem ao rio próximo a Stonetop, o grupo se deparou com uma neblina persistente e estranha que pairava sobre a água mesmo já sendo manhã. Ira e Luna decidiram tirar os sapatos e parte das roupas, carregando tudo acima da cabeça para atravessar sem molhar seus pertences. Homero, com a teimosia característica de um homem acostumado a não recuar, atravessou completamente vestido, com botas e calças de couro encharcadas. Ele passou boa parte do caminho seguinte desconfortável e mal-humorado, pagando o preço pela sua obstinação.

Já dentro da Grande Floresta, os sons da primavera preenchiam o ar — pássaros, insetos e as primeiras cigarras ao fundo. Os cães de Ira iam à frente, farejando o saquinho de bugigangas de tempos em tempos, mas logo começaram a cheirar o alto das árvores em vez do chão. Ira se lembrou do aviso que havia recebido de um espírito da floresta: glifos arranhados por garras em uma árvore antiga, seiva negra escorrendo do tronco e um alerta de que a ameaça poderia vir de cima, não apenas das raízes. A floresta estava guardando seus segredos nas copas, não no solo.

A confirmação veio de forma abrupta quando uma silhueta se moveu rapidamente pelos galhos acima deles, ágil como um macaco, e arremessou um jarro de barro que se despedaçou ao atingir o chão. O grupo partiu em perseguição, com os cães latindo e todos correndo por baixo das copas enquanto a criatura saltava de galho em galho com velocidade antinatural. Após alguns minutos de correria, o barulho cessou e a sombra desapareceu na densa folhagem. Luna ficou para trás por alguns instantes para examinar os cacos do jarro, notando que a cerâmica era idêntica à produzida em Stonetop, e guardou um pedaço maior para analisar depois.

Crinwin, arte de Lucie Arnoux

Para tentar entender o que havia passado por ali, Ira decidiu escalar uma das árvores altas da floresta. Luna serviu de apoio, abaixando-se para que Ira pisasse em suas costas e alcançasse os primeiros galhos. No topo, Ira encontrou marcas profundas de garras nos galhos — sinais claros de que algo com mãos preênseis havia passado por ali. Ela também se deparou com um enorme vespeiro próximo, cujas vespas estavam calmas por enquanto, e desceu com muito cuidado para não perturbá-las.

O grupo retomou o caminho seguindo a direção indicada pelas marcas, mas logo a floresta ficou estranhamente silenciosa. Foi Luna quem primeiro avistou uma árvore centenária tombada, oca por dentro, cujo interior escuro estava repleto de fungos, raízes e um cheiro forte de mofo — como um altar natural da floresta. Homero insistiu em continuar, mas Luna percebeu uma pedra no interior da árvore com marcações que chamaram sua atenção. Ira tentou convencê-la a não se separar do grupo, mas Luna, com um sorriso confiante, acabou convencendo a companheira de que era capaz de se cuidar sozinha.

The Great Forest, arte de Lucie Arnoux

Sozinha no interior escuro e abafado da árvore oca, Luna se aproximou da pedra e ficou paralisada: a runa entalhada nela era idêntica à do seu colar. Ambos começaram a brilhar intensamente em azul, e feixes de luz azulada emanaram da pedra, apontando para uma direção completamente diferente da trilha que o grupo estava seguindo. Luna pegou a pedra pesada com as duas mãos, e no instante em que a removeu do altar, o brilho e os feixes de luz desapareceram. Ela enfiou a pedra na mochila e correu para alcançar seus companheiros, ofegante mas determinada.

Quando Luna finalmente reencontrou o grupo, Homero mal conseguia esconder sua irritação. Ele parou no meio do caminho e, com voz grave e contida, evocou o nome de Vitor — um homem que havia morrido protegendo Luna em uma expedição anterior, deixando um filho chamado Gael para trás. Homero disse que falava o nome de Vitor todos os dias para não esquecer, e que temia que aquele sacrifício tivesse sido em vão caso Luna continuasse jogando a própria vida fora atrás de pedras e curiosidades. Ira tentou mediar o conflito, defendendo Luna com calma, e o grupo seguiu em frente com o peso daquelas palavras no ar.

Os cães voltaram a farejar com determinação e conduziram o grupo até uma clareira onde uma ruína antiga dos Makers estava semi-enterrada na floresta — um cubo de pedra enorme com uma das paredes ruídas, mergulhado em sombras densas. De dentro vinha uma voz fininha e distorcida pedindo socorro, como se viesse de dentro de um buraco. Ira ordenou que seus cães ficassem para trás e se esgueirou pelas árvores para se aproximar sem ser vista, enquanto Homero e Hilde avançavam de forma ostensiva com armas em riste para atrair a atenção de possíveis ameaças. Luna os seguia alguns passos atrás, observando as paredes de pedra com olhos atentos.

Dentro da ruína, uma figura estava pendurada no teto a cerca de dois metros de altura, envolta em uma substância cinzenta e espessa que lembrava papel de vespeiro, com braços e pernas completamente presos. Ira chamou pelo nome de Sara, mas a voz que respondia soava estranha, distorcida — e um mau pressentimento tomou conta dela. Antes que pudessem agir com cautela, Homero e Hilde pisaram em uma armadilha de fosso camuflada com folhas e galhos podres, revelando um buraco fundo com espetos de madeira afiados por dentes de criaturas no fundo. Homero conseguiu se agarrar à borda com a ajuda de Hilde, evitando a queda, mas nesse momento cinco Crinwin surgiram das sombras ao redor — criaturas humanoides com rostos que lembravam caveiras pela ausência de cartilagem nasal, sorrisos repletos de dentes brancos e afiados, e garras longas e escuras.

O combate foi caótico e intenso. Um dos Crinwin saltou diretamente em direção a Luna, mas Ira se jogou na frente, bloqueando o ataque com seu cajado e golpeando a criatura com tanta força que ela foi arremessada para dentro do fosso. Hilde, ainda inexperiente, tentou lutar com sua lança ao lado de Homero, mas acabou sendo ferido por um contra-ataque rápido de um dos Crinwin, que se movia com saltos antinatural e ágeis. Os cães Alecrim, Tomilho e Sálvia atacaram ferozmente, dilacerando um dos inimigos, embora Alecrim saísse da luta com um ferimento. Luna usou sua lança longa para perfurar o peito de um Crinwin pelas costas, recebendo um arranhão no braço como resposta.

Com quatro dos cinco Crinwin mortos ou caídos no fosso, o último sobrevivente escalou as paredes da ruína como um esquilo e começou a morder o cipó que sustentava Sara sobre o abismo com espetos. Hilde sacou seu arco e disparou uma flecha que atingiu as costas da criatura, mas não foi suficiente para detê-la completamente. O cipó estava prestes a ceder. Ira se posicionou rapidamente, abaixando-se para servir de apoio, e Homero pisou em suas costas, saltou com tudo que tinha e agarrou Sara no exato momento em que a corda foi cortada. O Crinwin perdeu o equilíbrio e caiu no fosso, sendo empalado nas próprias estacas que havia preparado para os outros.

Ao remover a substância cinzenta do rosto de Sara, o grupo teve uma revelação perturbadora: a voz que pedia socorro nunca havia sido dela. Sara estava amordaçada desde o início — eram os próprios Crinwin que imitavam a voz de uma criança para atrair as vítimas para a armadilha. Sara estava assustada, coberta de hematomas e arranhões, mas sem ferimentos graves. Um dos Crinwin que lutava contra os cães fugiu para a floresta durante o combate, e ao examinar os corpos dos mortos, Luna notou que o sangue deles era quase preto e que os cadáveres esfriavam rapidamente, como se já estivessem mortos há muito tempo. Homero encontrou uma faca de metal presa à cintura de um dos Crinwin, com o brasão de uma garra entalhado no punho — o símbolo de um bando mercenário conhecido como Os Garras — e a guardou discretamente, sem comentar nada.

No caminho de volta, Sara foi contando o que havia acontecido. Ela disse que as criaturas ficavam apontando para Stonetop e repetindo um nome: Théo. Luna ficou paralisada ao ouvir aquilo. Théo era seu amigo desaparecido havia anos, e a ideia de que aquelas criaturas da floresta conheciam esse nome a perturbou profundamente. O grupo retornou a Stonetop em silêncio pesado, recebido com gratidão pelos moradores e pelos líderes da vila. A anciã Janis, com seus setenta anos de experiência, declarou nunca ter visto os Crinwin tão astutos e audaciosos — algo estava diferente, e todos sentiam isso.

Théo, amigo desaparecido de Luna

Naquela noite, Luna foi conversar com sua avó Celeste. Ela contou tudo: a inteligência atípica dos Crinwin, a armadilha elaborada, e o nome de Théo repetido pelas criaturas enquanto apontavam para a cidade. O fogo da lareira bruxuleou quando Celeste ouviu o nome do rapaz desaparecido, e as sombras dançaram pelas paredes. A velha mulher compartilhou histórias da antiga teodotisa Ingrid, que dizia que os Crinwin eram apenas soldados tolos — mas que, às vezes, uma inteligência maligna das profundezas da floresta era capaz de fazê-los realizar ações muito mais elaboradas e cruéis. Celeste concluiu que os Crinwin não falam por conta própria; eles apenas repetem o que ouviram de outra fonte — e alguém, ou algo, havia ensinado o nome de Théo a eles. Ao encerrar a conversa, Celeste apontou discretamente para o armário onde a Pedra da Mente estava guardada, sugerindo sem palavras que Luna precisaria de respostas que só aquele artefato poderia oferecer.

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Stonetop – Sessão 1

A manhã em Stonetop começou mais fria e silenciosa do que o habitual. Homero acordou tarde e, ao observar os moradores, percebeu uma inquietação sutil nos seus rostos — uma neblina estranha estava se acumulando nas margens da Grande Floresta, densa e fora de época. Ele viu Lívia conduzindo uma fila de crianças de mãos dadas em direção ao pavilhão central, e seu coração se alegrou com a cena. Havia algo na maneira como ela olhava para as crianças e se divertia com as risadas delas que ele admirava profundamente, invejando aquela capacidade de encontrar alegria nas coisas simples da vida.

Lívia, cuida das crianças de Stonetop

Enquanto isso, Ira estava subindo o caminho de volta para Stonetop quando encontrou Robin. A sacerdotisa tentou alertá-la sobre os espíritos alvoroçados na floresta e sobre a neblina que não deveria estar ali naquela época do ano, mas Robin a recebeu com ceticismo, dizendo que os espíritos de Ira sempre estavam com mensagens estranhas. Quando Robin quis descer sozinha até a cabana de Ira para buscar uma coleira que havia feito para o cachorro Tomilho, a sacerdotisa insistiu para que ela não fosse. Robin acabou cedendo e subindo junto, mas ficou de braços cruzados e com pouca conversa, claramente ofendida com a insistência de Ira.

A tranquilidade da manhã foi interrompida por gritos desesperados vindo da direção da floresta. Três caçadores chegaram correndo e ofegantes à vila — Martim entre eles, carregando Leopoldo, que estava com um corte profundo e sangrando na perna. Martim relatou, ainda tremendo, que haviam sido atacados por criaturas que saltaram das árvores a apenas trinta minutos de caminhada da cidade, algo que nunca havia acontecido antes na memória de ninguém. A multidão se aglomerou ao redor deles, e foi então que a Anciã Janis tomou a palavra com sua voz fraca, mas imponente, silenciando todo o murmurinho: ela confirmou que nunca havia visto os Crinwin tão audaciosos e tão perto de Stonetop. No meio da multidão, a avó de Luna, Celeste, anunciou ter visto uma aparição na Grande Pedra na noite anterior, gerando reações mistas — alguns moradores faziam sinais de proteção enquanto outros a chamavam de louca.

Janis, a anciã da vila

Homero tomou as rédeas da situação, propondo reforçar as patrulhas e as torres de vigia e evitar a floresta por um ou dois dias antes de retomar as caçadas em grupos maiores e mais protegidos. Ira compartilhou o que sabia sobre os Crinwin, estabelecendo que as criaturas eram predominantemente noturnas, o que tornava o ataque durante o dia ainda mais alarmante. Foi então que Lívia apareceu entre a multidão, desesperada, procurando pela pequena Sara em todos os cantos da vila sem encontrá-la. Robin, pálida, revelou que havia comentado com a menina sobre a coleira esquecida na cabana de Ira, e que Sara provavelmente havia descido sozinha até a borda da floresta para buscá-la.

Ira desceu correndo até sua cabana e encontrou um cenário perturbador. A horta estava completamente destruída, com as alfacinhas jogadas para os lados e marcas profundas no chão indicando que algo havia sido arrastado. No caminho, ela encontrou a bolsinha de bugigangas de Sara jogada num canto — a menina jamais a deixaria para trás voluntariamente. Ira voltou para contar aos demais o que havia encontrado, e a confirmação do sequestro caiu sobre o grupo como uma pedra. Hilde, o irmão mais velho de Sara, se juntou imediatamente à expedição de resgate, e Luna se voluntariou para ir junto. Homero, lembrando da promessa que havia feito a Otto de proteger Luna, decidiu acompanhar o grupo sem hesitar.

Hilde, braço direito de Homero

O grupo se preparou rapidamente para a jornada. Homero vestiu sua armadura e pegou seu escudo e espada, pronto para um possível confronto com os Crinwin. Ira preparou seus cachorros e seu sachê sagrado, enquanto Luna reuniu seus talismãs e parafernália mística, incluindo a poderosa pedra que carregava no pescoço — uma gema azul fosca que havia encontrado nas ruínas dos Makers tempos atrás. Com os cachorros de Ira farejando o rastro de Sara, o grupo adentrou a Grande Floresta.

O que os esperava dentro da mata era perturbador. Não havia canto de pássaros, não havia esquilos subindo nas árvores, não havia qualquer sinal de vida animal — apenas um silêncio antinatural que pesava sobre o grupo como uma mortalha. Ira, familiarizada com a floresta, percebeu que a folhagem estava estranhamente seca para o início da primavera, como se algo tivesse sugado a vida da vegetação, e que os galhos rangiam de forma sinistra mesmo sem qualquer vento. Conforme o grupo avançava, pedras espalhadas no chão começaram a aparecer — características das antigas construções dos Makers —, indicando que estavam se aproximando das ruínas. Foi então que Luna olhou para baixo e viu que o talismã de pedra azul no seu pescoço, antes completamente fosco, estava brilhando e se tornando translúcido de uma forma que ela jamais havia visto antes, pulsando em resposta a algo antigo e poderoso que aguardava nas profundezas da floresta silenciosa.

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Stonetop – Sessão Zero

Stonetop era uma vila isolada, encravada nos confins do mundo conhecido, onde a vida girava em torno da sobrevivência e da comunidade. Seus habitantes plantavam, caçavam e se protegiam mutuamente, unidos por laços forjados ao longo de gerações. No centro da vila erguia-se a Grande Pedra, um monumento antigo que emitia raios e guardava segredos que poucos ousavam investigar. Era uma terra de mistérios silenciosos e perigos que espreitavam nas sombras da Grande Floresta ao redor.

A vila de Stonetop

Entre os moradores de Stonetop, três figuras se destacavam como pilares da comunidade, cada uma carregando o peso de seu próprio passado. Luna era uma jovem pesquisadora antiquária, filha e neta de estudiosas, com as mãos sempre manchadas de tinta e os olhos voltados para os enigmas deixados pelos antigos Makers. Homero era um estrangeiro grisalho, vindo da distante cidade de Lygos, que havia chegado anos atrás como mercenário e acabado ficando como protetor da vila. Ira, por sua vez, era uma jovem que crescera de forma selvagem na Grande Floresta, criada pelos lobos e pelos espíritos da mata, antes de ser trazida de volta à civilização por sua amiga de infância, Robin.

A história de Homero com Stonetop era marcada por sangue e lealdade. Ele havia chegado à vila como parte de um bando de mercenários chamado Os Garras, liderado por um homem chamado Brennan, ambicioso e inescrupuloso. Com o tempo, Brennan começou a usar sua força militar para se aproveitar da comunidade, acumulando recursos e poder de forma autoritária, algo completamente contrário ao espírito comunitário de Stonetop. Homero, que havia desenvolvido um senso de pertencimento à vila, liderou uma divisão dentro do bando, e os que permaneceram leais a ele se uniram aos moradores para expulsar Brennan e seus seguidores.

Homero, The Marshal

A batalha que ficou conhecida como o Dia de Lembranças foi um momento decisivo na história de Stonetop. Naquele dia, um homem chamado Otto, filho da sábia Celeste e pai da jovem Luna, foi o primeiro a desafiar abertamente Brennan, pagando com a própria vida por sua coragem. Sua morte desencadeou a rebelião que finalmente expulsou os mercenários autoritários da vila. Todo ano, os nomes dos que caíram naquele dia eram lidos em voz alta durante as comemorações, e o nome de Otto era sempre o primeiro a ser pronunciado. Rafael, outro morador que lutou naquele dia, ficou permanentemente manco após uma briga brutal com Brennan, e até hoje guardava um profundo ressentimento contra Homero e seu bando.

Brennan e seus seguidores leais haviam se estabelecido em Marshedge, mas sua sombra ainda pairava sobre Stonetop. Homero sabia, no fundo de seu coração, que Brennan era rancoroso e inteligente, e que a vingança era apenas uma questão de tempo. O que poucos sabiam era que Homero carregava um segredo sobre sua relação com o antigo líder, algo que Luna, filha do homem que morreu desafiando Brennan, talvez nunca pudesse perdoar se viesse a descobrir. Por isso, Homero havia feito uma promessa silenciosa de manter Luna a salvo, sentindo o peso da culpa pela morte de Otto sobre seus ombros.

Luna crescera sob a tutela de sua avó Celeste, uma mulher que havia deixado sua cidade natal para viver em Stonetop por causa da Grande Pedra. Celeste passara a vida inteira estudando os mistérios dos Makers, os antigos construtores cujos vestígios ainda podiam ser encontrados pela floresta e pelas ruínas ao redor da vila. Com o tempo, as investigações de Celeste e a perda de seu filho Otto a deixaram com uma reputação de excêntrica, e muitos moradores não levavam mais a sério o que ela dizia. Mas Luna acreditava em cada palavra da avó, especialmente na teoria de que a Grande Pedra era um portal desativado para outros mundos, possivelmente para o temido Mundo de Baixo.

Luna, The Seeker

A crença de Luna na teoria da avó havia se intensificado após o misterioso desaparecimento de seu amigo Théo. Enquanto a maioria dos moradores acreditava que ele havia morrido na floresta, devorado por alguma criatura, Celeste insistia que a pedra havia o engolido. O irmão de Théo, Tom, um fazendeiro dedicado, havia se aproximado de Luna após o sumiço, esperando que ela e sua avó pudessem um dia encontrar respostas. Luna confiava em Tom, mas havia um segredo que ela não conseguia compartilhar com ele: a existência da Joia da Mente, um cristal maciço do tamanho de uma cabeça humana que ela havia encontrado enterrado na borda de um lago em uma clareira da floresta.

A Joia da Mente abrigava uma inteligência antiga e confusa, que buscava conexão com quem a tocasse. Luna havia usado o artefato para desvendar os segredos de uma caixa de quebra-cabeça de metal que ela havia encontrado em suas pesquisas, mas a experiência a deixou desconfiada. Ela se lembrava de um forasteiro chamado Dimitri, um nômade enigmático que havia passado por Stonetop procurando exatamente por um objeto como aquele, fazendo perguntas sobre cristais estranhos e demonstrando uma ambição que Luna reconhecia como perigosa. Por isso, ela mantinha a joia em segredo absoluto, nem mesmo sua avó sabia de sua existência, pois Luna temia que o poder do artefato pudesse ser usado para fins sombrios.

Ira, por sua vez, carregava seus próprios mistérios. Quando era muito pequena, sua mãe, uma das Forest Folk que habitavam a floresta, havia sussurrado para ela se esconder antes de desaparecer para sempre junto com todo o seu povo. Ira nunca soube o que havia acontecido, mas acreditava que a mesma força que havia varrido os Forest Folk da floresta era a responsável pelo aumento de criaturas perigosas nos arredores de Stonetop. Ela havia crescido de forma selvagem na Grande Floresta por anos, até que uma menina chamada Robin, que havia se perdido perto da mata, a encontrou e, aos poucos, a trouxe de volta para o convívio humano.

Ira, The Blessed

Ira havia se integrado à comunidade de Stonetop tornando-se uma herbalista e apotecária, usando seu profundo conhecimento da floresta para curar os doentes e feridos da vila. Ela vivia nos arredores, perto do riacho, com seus três cães mastins, Alecrim, Tomilho e Sálvia, que a acompanhavam em suas incursões pela mata. Os espíritos da floresta, com quem ela mantinha uma relação especial, haviam começado a sussurrar sobre Luna, alertando que a jovem pesquisadora estava mexendo com forças que não compreendia totalmente. Ira havia sido a responsável por levar Luna até um local na floresta onde encontraram vestígios de corpos e equipamentos antigos, e foi lá que Luna havia pegado um elmo de bronze danificado dos Makers, sem que Ira percebesse a importância do objeto.

A relação entre os três heróis de Stonetop era marcada por laços de confiança, mas também por segredos e tragédias não resolvidas. Em uma ocasião, Luna havia desobedecido uma ordem de Homero e se aventurado sozinha até umas ruínas na floresta quando já estava escurecendo. Homero havia enviado um de seus companheiros, Vitor, para trazê-la de volta, mas o homem acabou sendo devorado por criaturas da floresta enquanto lutava para garantir a fuga de Luna. A culpa por essa morte pesava sobre Luna, e a promessa que Homero havia feito de mantê-la a salvo havia se tornado ainda mais urgente após aquele dia.

Enquanto isso, os sinais de que algo estava errado em Stonetop se multiplicavam. As criaturas da floresta estavam cada vez mais ousadas, e os espíritos sussurravam avisos que poucos conseguiam ouvir. A Grande Pedra permanecia em silêncio no centro da vila, guardando seus segredos sobre portais e mundos distantes. Brennan aguardava em Marshedge, e sua sombra de vingança pairava sobre o horizonte. E em algum lugar da floresta, os mistérios dos Makers esperavam para ser desvendados por mãos corajosas o suficiente para enfrentá-los.

Os destinos de Luna, Homero e Ira estavam entrelaçados com o destino de Stonetop de formas que eles ainda não compreendiam completamente. A vila precisava de seus heróis, não de guerreiros invencíveis, mas de pessoas dispostas a tomar decisões difíceis, a carregar o peso das expectativas de seus vizinhos e a enfrentar os perigos que se aproximavam. E enquanto o inverno se aproximava e os recursos da comunidade precisavam ser gerenciados com cuidado, uma ameaça ainda desconhecida estava se formando nas sombras, prestes a testar a coragem e a lealdade de cada um deles.

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Atualização RPGística 2026

Olá Jogadores e DMs! Dei uma atualização geral da minha vida RPGística, falei um pouco da GenCon, e do que estou jogando atualmente. Deixe seu comentário se quiser saber um pouco mais de alguma coisa!

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Fechamento para Balanço

Olá leitores fiéis,

Só um aviso que irei mudar de estado, e com isso o computador que roda o Rolando 20 que fica aqui embaixo da mesa vai ficar fora do ar por um tempo. Eu espero que o site fique fora do ar do dia 15-16 de Junho até por volta de 15 de Julho.

A partir dessa data, eu gostaria de voltar com o podcast. Estou desenvolvendo aqui coisas que eu gostaria de fazer, mas se você é ouvinte das antigas e tem opinião, deixe aí embaixo!

Antes da data final vou deixar um vídeo também.

Abraços e Rolem 20!

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O Retorno de Lurue

Mais um trecho da nossa aventura em Forgotten Realms usando o Daggerheart como sistema! Leia todas aqui!

O grupo se encontrava diante da Forja do Amanhecer, dentro da pirâmide de Dun-Tharos, enquanto o Homem Apodrecido realizava seu ritual sinistro para invocar um avatar de Talona. Ash, a criança misteriosa que carregava um fragmento da deusa unicórnio Lurue, estava desacordada e envenenada nos braços de Ususi. O escudo protetor do Homem Apodrecido havia caído quando a forja começou a acender, revelando finalmente a presença da criança que ele tanto procurava. Do lado de fora da pirâmide, um exército massivo de vológenes, demônios e drow se concentrava, pronto para seguir o avatar de Talona e devastar a floresta.

Talona

Mas o Homem Apodrecido não lutaria sozinho contra cinco heróis. Do leste, os bárbaros da tribo de Qoacesta emergiram da linha da floresta com gritos de guerra, liderados por druidas de Yeshelmaar. Pelo flanco, o som inconfundível de trombetas de pedra e metal ecoou quando Gor Ironvein cumpriu sua palavra, trazendo os anões de Kazargadol e Fhearwood para formar uma parede de escudos. Eldiria e Elowen lideraram um contingente de caçadores e rangers direto de Yeshelmaar. O vale inteiro havia se unido contra a escuridão, e todos ganharam um lampejo de esperança ao testemunhar essa união.

Jade conjurou ilusões de sementes de luz que entraram em cada um dos heróis, inspirando-os para a batalha que estava por vir. Tassariel e Cillian executaram um ataque combinado magistral, com Tassariel criando vaga-lumes de fogo enquanto Cillian os direcionava com precisão mágica para dentro da forja. A bigorna inteira começou a brilhar num tom de fogo intenso, emanando um calor que todos podiam sentir. O Homem Apodrecido, percebendo o perigo, estendeu seus braços de vinhas como tentáculos enormes e agarrou Ash do outro lado da sala, puxando-a para perto de si apesar dos esforços de Ususi para segurá-la.

Determinados a ativar completamente a forja, Jade e Tassariel realizaram outro ataque combinado. Tassariel invocou a encarnação do fogo, transformando-se numa manifestação flamejante, enquanto Jade puxava o frio ao redor dela para intensificar ainda mais o calor. Quando colocaram suas mãos na forja, ela explodiu em um clarão de fogo tão intenso que era quase branco, jogando o Homem Apodrecido para trás com força tremenda. Cillian e Ususi foram derrubados pela explosão, mas nenhum deles sofreu ferimentos graves. Oloran foi arremessado para longe, e todos que possuíam visão mágica viram uma conexão se rompendo entre ele e a forja, estilhaçando o anel que ele usava.

A ativação da forja teve consequências inesperadas. Rachaduras começaram a aparecer no ar por toda Dun-Tharos, como se a própria realidade estivesse se despedaçando. Dos portais que se abriam, demônios da antiga Narfell começaram a emergir—criaturas que haviam sido aprisionadas por milênios pelas barreiras místicas que o anel de Oloran ajudava a manter. Os anões e bárbaros que lutavam do lado de fora se viram subitamente cercados por hordas demoníacas, transformando a batalha numa situação ainda mais desesperadora.

O Homem Apodrecido, enfurecido pela ativação da forja, apontou para cima e o topo da pirâmide começou a se abrir, revelando o céu crepuscular. Com Ash ainda presa em suas vinhas, ele proclamou sua vitória: “Vocês acham que eu seria tolo? Vocês a trouxeram até mim.” Então, diante dos olhos horrorizados de todos, a cabeça de chacal que havia crescido de seu corpo mordeu diretamente a cabeça de Ash, despedaçando seus ossos, enquanto a cabeça de gafanhoto devorava o resto de seu pequeno corpo. Cillian, que havia se teleportado para a sombra do monstro na tentativa de resgatá-la, ficou paralisado pelo choque do que testemunhou.

A transformação do Homem Apodrecido continuou enquanto ele crescia cada vez mais, rasgando sua capa e revelando múltiplos braços e três cabeças grotescas—chacal, gafanhoto e sua cabeça original. Uma névoa púrpura começou a encher o lugar, e as três cabeças gritaram em uníssono numa língua antiga de Narfell, causando terror nos corações dos heróis. Cillian, recuperando-se do choque, saltou nas costas da criatura e a agarrou num estrangulamento mortal, enquanto braços de sombra envolviam o corpo monstruoso. Com sua espada, ele arrancou a cabeça do chacal que havia devorado Ash, mas a criatura regenerou rapidamente, fazendo a cabeça crescer de volta.

A batalha se intensificou quando Ususi gritou uma revelação crucial: “Ele é vulnerável a você, Tassariel! Você é a última druida!” Tassariel, transformada em pantera e imbuída com a encarnação do fogo, atacou ferozmente enquanto Jade, invisível, usou sua força para empurrar o monstro para dentro da própria Forja do Amanhecer. O Homem Apodrecido caiu sobre a bigorna ardente, e Tassariel, com suas patas flamejantes, o segurou ali enquanto o fogo da forja o consumia. Ele gritou em agonia, tentando escapar, mas a pantera de fogo não o soltou até que ele fosse completamente destruído.

Do corpo despedaçado do Homem Apodrecido, algo milagroso emergiu. Uma jovem que se parecia com Ash, mas mais velha e com aproximadamente dois metros e vinte de altura, saiu de dentro dele. Ela tinha um chifre de unicórnio na testa e estava coberta de sangue e podridão. Quando se levantou, todos sentiram imediatamente aquela mesma sensação de paz e cura que haviam experimentado com Ash no passado—a presença de algo divino e puro. Ela tocou gentilmente os rostos de Jade e Tassariel, agradecendo-lhes, e então asas de luz brotaram de suas costas.

A jovem, que se revelou ser Araluen, um avatar de Lurue, subiu na Forja do Amanhecer e se lançou para cima através da abertura no topo da pirâmide. Um brilho enorme desceu do céu, iluminando toda a floresta de Dun-Tharos e a cidade antiga. Os demônios se esconderam da luz, e as tropas do Homem Apodrecido começaram a se despedaçar. Araluen desceu do céu para lutar contra os demônios maiores—Pit Fiends e outras criaturas além da capacidade dos exércitos mortais de derrotar. Ela explicaria mais tarde que ela e Ash eram agora uma só, que a fagulha divina de Lurue havia escapado de Talantyr há dois anos e se refugiado na criança órfã, e que agora, reunida com o resto da energia vital da deusa, ela havia renascido.

Oloran, recuperado e com seus poderes druídicos restaurados, transformou-se numa águia gigante e resgatou o grupo da pirâmide. Voando sobre o campo de batalha, eles testemunharam o caos abaixo—Araluen lutando contra os demônios maiores enquanto os exércitos aliados enfrentavam hordas de criaturas menores. Cillian se juntou aos caçadores de Lethyr e Elowen no chão, usando sua invisibilidade e habilidades furtivas para eliminar demônios-chave. Tassariel, voando nas costas de Oloran, conjurou vinhas que brotaram do chão para restringir os demônios voadores, enquanto Jade criou cristais de gelo que furavam as asas das criaturas voadoras, fazendo-as cair.

Jade então usou sua presença e oratória para capturar a atenção dos líderes dos exércitos. Ela gritou que o Homem Apodrecido estava morto, que o trabalho principal havia sido cumprido, e que agora precisavam recuar para se reagrupar. Embora sua voz estivesse fraca pela exaustão, os líderes dos druidas, rangers e bárbaros reconheceram a sabedoria em suas palavras. Eles começaram a organizar a retirada de Dun-Tharos enquanto Araluen mantinha os demônios maiores ocupados. A tempestade de neve que havia assolado a região finalmente cessou, e um sol de inverno apareceu no horizonte enquanto os exércitos marchavam para o sul.

A jornada para Yeshelmaar levou vários dias, e ao longo do caminho, os aliados começaram a se separar. Na Grande Estrada, os bárbaros conversaram com Elowen e Oloran, que prometeram restabelecer relações entre as cidades dos humanos e as tribos bárbaras. Os anões fizeram uma trégua com os bárbaros após terem lutado lado a lado contra um inimigo comum, e então se separaram para retornar a Dun-Tharos e buscar o restante do povo de Kazargadol. Ususi abraçou cada um dos heróis calorosamente antes de seguir para Kront, oferecendo sua ajuda futura em conhecimento e componentes mágicos sempre que precisassem.

O grupo decidiu fazer um desvio pela Floresta de Lethyr para plantar a semente de Oakenheart que haviam guardado. Eles se separaram dos Rangers de Lethyr e adentraram a floresta até encontrarem um local sereno perto de uma nascente e cachoeira. Tassariel realizou um ritual druídico completo, fazendo uma oração a Rillifane enquanto plantava a semente com reverência. Enquanto a luz do sol filtrava através das folhas das árvores, Araluen apareceu novamente entre eles, sua presença trazendo aquela sensação familiar de paz.

Araluen agradeceu ao grupo profundamente, explicando que dois anos atrás, Talantyr havia tentado roubar toda a fagulha divina de Lurue usando poderes dados por Talona. Ele quase conseguiu, mas uma fagulha escapou e foi parar em Ash, uma jovem órfã. Agora, com a reunião dessa fagulha e o reacendimento da Forja do Amanhecer, ela havia se tornado completa novamente. Ela tocou o chão e abriu um portal, permitindo que os anões de Kazargadol que haviam ficado presos emergissem em segurança, antes de destruir o portal. Araluen prometeu cuidar da árvore que nasceria da semente de Oakenheart e ofereceu sua ajuda sempre que o grupo precisasse, embora não soubesse quanto tempo Lurue a deixaria permanecer em Toril.

Naquela noite, ao redor da fogueira do acampamento, Cillian finalmente revelou sua verdadeira identidade. Com um truque de mágico, ele fez aparecer o broche dos Harpers e se apresentou formalmente como Cillian Hartigan, um Harper. Ele explicou que sua missão original havia sido investigar a presença de Drows na região, mas que havia perdido mais de um mês sob o domínio de Damanda. Jade, ansiosa, mostrou-lhe o colar com o símbolo dos Harpers que havia herdado de seu pai, perguntando se ele conhecia um humano que havia viajado para as montanhas. Embora Cillian não reconhecesse o símbolo específico, ele sugeriu que procurassem em Dunderdale, onde outros Harpers poderiam ter informações.

Então, num momento solene, Cillian formalizou o juramento de Jade como Harper. Ele recitou os princípios da organização—sobre trabalhar nas sombras para servir a luz, sobre promover a liberdade e a justiça, sobre manter o equilíbrio entre o poder e a liberdade, e sobre preservar a história para que os erros do passado não se repetissem. Jade repetiu cada palavra com convicção, e quando terminou, ela era oficialmente uma Harper. Foi um momento de reconhecimento e crescimento após tudo que ela havia passado.

Jade

As discussões ao redor da fogueira continuaram pela noite. Elowen expressou sua crença na redenção, sugerindo que talvez algumas das criaturas corrompidas ainda pudessem ser purificadas, especialmente com a ajuda do Nentyarch. Oloran anunciou sua intenção de retornar a Cormanthor após se recuperar em Yeshelmaar, priorizando avisar sobre a ameaça dos Drows que Cillian havia mencionado. O grupo discutiu a necessidade de retornar a Dunderdale para lidar com os vampiros que ainda infestavam a cidade, e Jade estava determinada a encontrar pistas sobre seu pai desaparecido. Valeron, um dos druidas, expressou sua preocupação de que a Floresta de Rawlinswood nunca mais seria a mesma, provavelmente sendo renomeada para Floresta de Dun-Tharos devido à infestação demoníaca permanente.

Enquanto as estrelas brilhavam acima e a fogueira crepitava, o grupo refletiu sobre tudo que haviam conquistado. Eles haviam derrotado o Homem Apodrecido, reacendido a Forja do Amanhecer, e testemunhado o renascimento de um avatar divino. Embora a floresta de Dun-Tharos permanecesse perigosa e cheia de demônios, a corrupção do Talantyr havia cessado. Novos desafios os aguardavam—vampiros em Dunderdale, mistérios sobre os Drows, e a busca pelo pai de Jade—mas por enquanto, eles podiam descansar sabendo que haviam salvado incontáveis vidas e mudado o destino do vale para sempre.

— Fim

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Reporte de Sessão

A Forja do Amanhecer

Mais um trecho da nossa aventura em Forgotten Realms usando o Daggerheart como sistema! Leia todas aqui!

Após atravessarem as ruas tomadas de Dun-Tharos, o grupo finalmente chegou à imponente pirâmide no centro da cidade, uma estrutura que antes servia como centro de poder dos druidas do Grande Vale. Cercada por árvores e espelhos d’água agora corrompidos, a pirâmide emanava uma aura sinistra. Na entrada secundária que levava à Forja do Amanhecer, foram surpreendidos pela Blightlord Damanda, a vampira que já haviam enfrentado duas vezes antes, acompanhada por Gameliel e Anammelech, ambos aparentemente ressuscitados das mortes anteriores. Tassariel, em sua forma de pantera gigante, provocou Damanda, questionando se ela fugiria novamente, ao que a vampira respondeu que este seria seu último combate, de uma forma ou de outra.

A batalha foi feroz e brutal. Gameliel, sem sua arma mas coberto por uma armadura pesada que escorria óleo negro, avançou rugindo de forma não natural. Cillian conseguiu prendê-lo com um golpe preciso, mas a armadura do guerreiro morto-vivo liberou um óleo corrosivo que causou grande sofrimento. Tassariel, em sua forma felina, atacou com garras e presas, arrancando pedaços da armadura enquanto o óleo negro queimava sua pele. Anammelech, agora uma criatura de geleia escura que apenas emitia ruídos, atacou com uma faca enquanto se arrastava pelo chão. Jade lançou bolas de fogo contra Damanda, que resistiu parcialmente aos ataques mágicos com sua natureza vampírica. Quando Gameliel infectou Jade com seu óleo negro, causando dor contínua, Tassariel entoou uma canção curativa que restaurou suas forças e removeu a corrupção.

O combate chegou ao clímax quando Cillian desferiu um golpe devastador em Gameliel, e Tassariel o empurrou para o espelho d’água, onde o guerreiro morto-vivo se desintegrou em óleo negro, deixando apenas pedaços de armadura flutuando. Tassariel então correu para confrontar Damanda, resistindo à tentativa da vampira de dominá-la com o olhar e cravando garras e presas em sua jugular. Cillian emergiu das sombras e cravou sua espada no coração de Damanda, que antes de cair apontou para Jade e Tassariel, dizendo que elas haviam sacrificado a si mesmas. Anammelech foi empurrado para a água e incinerado por uma bola de fogo, derretendo-se em uma poça de líquido escuro. Os três Blightlords estavam finalmente destruídos.

Após a batalha, o grupo revistou os corpos e encontrou um saco de pedras preciosas e um anel misterioso em uma corrente de prata no corpo de Damanda. O anel era grande, feito de prata com uma gema vermelha e detalhes que pareciam chamas. Percebendo que a tempestade se aproximava cada vez mais, como se estivesse convergindo para a pirâmide, o grupo decidiu entrar na estrutura em busca de um local seguro para descansar. Desceram por uma escadaria escura, iluminada por uma tocha acesa por Ususi, e encontraram um corredor lateral com várias salas. Uma delas exalava um cheiro horrível de podridão que decidiram ignorar, mas em outra encontraram aposentos confortáveis com tapeçarias, uma lanterna acesa, um altar dedicado a Shar, a deusa das sombras, e uma escrivaninha com papéis.

Durante o breve descanso, Jade examinou a escrivaninha e encontrou notas recentes de Damanda, escritas com tinta ainda fresca. As anotações revelaram que o Homem Apodrecido não queria apenas governar a floresta ou os vales, mas fundir toda Toril com o cárcere, e que a Forja do Amanhecer abriria a porta que os antigos de Narfell haviam fechado. Damanda escrevera que ela tinha a chave—o anel que estava com Oloran—e que era a única capaz de impedir o plano. Tassariel reconheceu o anel como sendo associado a uma demônia da antiga Narfell, mencionado em histórias do templo dos deuses da natureza. Ususi explicou que o anel controlava a demônia, mas expressou apreensão em identificá-lo magicamente devido ao risco de maldição. O grupo decidiu guardar o anel, com Jade ficando responsável por ele.

Após o descanso, o grupo retornou à escadaria principal e encontrou um obstáculo terrível: raízes negras e apodrecidas cobriam completamente o caminho, descendo do teto ao chão como um véu de vinhas pulsantes. Quando Jade tocou uma raiz, sentiu um formigamento que rapidamente se transformou em uma dor intensa, como uma queimadura ou picada venenosa. Quando tentaram usar fogo para afastar as raízes, elas reagiram abrindo espinhos ameaçadores. Tassariel se transformou em serpente e serpenteou pelas raízes com sucesso, enquanto Jade atravessou com a ajuda das sombras de Cillian, sentindo a dor mas chegando ao outro lado sem efeitos duradouros. Cillian atravessou por último, protegendo Ash debilitada em seus braços, usando suas sombras e a orientação de Tassariel para evitar o pior das raízes venenosas.

Finalmente, o grupo chegou a uma vasta câmara central subterrânea, sufocante e abafada, iluminada por uma luz roxa arrocheada. No centro da sala, sobre uma antiga bigorna de obsidiana—a Forja do Amanhecer—estava Oloran, o mentor de Tassariel, com aparência cansada e barba embranquecida, apoiando as mãos na forja. Ao fundo, cercado por um escudo de energia e com os braços erguidos, o Homem Apodrecido murmurava palavras arcanas. Oloran olhou para o grupo com surpresa e alívio, mas quando Tassariel correu para ele, fez um gesto para que ela não se aproximasse. Ele revelou que a chama sagrada da forja havia se apagado, que estivera sob o controle do Homem Apodrecido até o início do ritual, e que agora estava ligado à forja de alguma forma misteriosa, sentindo o vazio e o frio do lugar. Seus poderes druídicos haviam desaparecido completamente.

O grupo discutiu desesperadamente como reacender a forja enquanto o Homem Apodrecido continuava seu ritual. Tassariel começou uma prece a Rillifane, fazendo vinhas crescerem ao redor da bigorna para canalizar energia mágica, enquanto Jade tentava aquecer as estátuas das divindades forjadoras com bolas de fogo. Faíscas começaram a emergir das estátuas, mas o processo era lento. O Homem Apodrecido abriu os olhos e, com uma voz cavernosa que trazia um cheiro terrível de podridão, declarou que mesmo que a forja fosse acesa, não seria suficiente, pois Talona viria para liderar seus exércitos. Ele lançou uma onda de escuridão contra o grupo, que resistiu usando sombras, esquivas e escudos mágicos. Jade e Tassariel então trabalharam juntas, com Jade cantando uma canção inspiradora sobre os druidas ancestrais, lembrando de todos os sacrifícios feitos até aquele momento—a morte de Falon, de Silas, e de todos que lutaram pela floresta. Com essa memória ardendo em seu coração, Tassariel canalizou toda a sua força, e a forja começou a tremer violentamente. Faíscas e um líquido brilhante e vermelho emergiram, uma fumaça quente e luminosa se espalhou, e as vinhas cobriram completamente a bigorna. Oloran sorriu para Tassariel antes de cair desmaiado ao lado da forja. Mas então, um chicote de vinhas espinhentas emergiu do escudo do Homem Apodrecido, atacando o grupo e atingindo Ash pela terceira vez, dissipando sua invisibilidade. O Homem Apodrecido sorriu de forma antinatural, mostrando dentes como palitos, e declarou que o grupo havia trazido a criança até ele. Com um estalo, o campo de força desapareceu, e ele começou a caminhar na direção do grupo.