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Reporte de Sessão

Stonetop – Sessão 1

A manhã em Stonetop começou mais fria e silenciosa do que o habitual. Homero acordou tarde e, ao observar os moradores, percebeu uma inquietação sutil nos seus rostos — uma neblina estranha estava se acumulando nas margens da Grande Floresta, densa e fora de época. Ele viu Lívia conduzindo uma fila de crianças de mãos dadas em direção ao pavilhão central, e seu coração se alegrou com a cena. Havia algo na maneira como ela olhava para as crianças e se divertia com as risadas delas que ele admirava profundamente, invejando aquela capacidade de encontrar alegria nas coisas simples da vida.

Lívia, cuida das crianças de Stonetop

Enquanto isso, Ira estava subindo o caminho de volta para Stonetop quando encontrou Robin. A sacerdotisa tentou alertá-la sobre os espíritos alvoroçados na floresta e sobre a neblina que não deveria estar ali naquela época do ano, mas Robin a recebeu com ceticismo, dizendo que os espíritos de Ira sempre estavam com mensagens estranhas. Quando Robin quis descer sozinha até a cabana de Ira para buscar uma coleira que havia feito para o cachorro Tomilho, a sacerdotisa insistiu para que ela não fosse. Robin acabou cedendo e subindo junto, mas ficou de braços cruzados e com pouca conversa, claramente ofendida com a insistência de Ira.

A tranquilidade da manhã foi interrompida por gritos desesperados vindo da direção da floresta. Três caçadores chegaram correndo e ofegantes à vila — Martim entre eles, carregando Leopoldo, que estava com um corte profundo e sangrando na perna. Martim relatou, ainda tremendo, que haviam sido atacados por criaturas que saltaram das árvores a apenas trinta minutos de caminhada da cidade, algo que nunca havia acontecido antes na memória de ninguém. A multidão se aglomerou ao redor deles, e foi então que a Anciã Janis tomou a palavra com sua voz fraca, mas imponente, silenciando todo o murmurinho: ela confirmou que nunca havia visto os Crinwin tão audaciosos e tão perto de Stonetop. No meio da multidão, a avó de Luna, Celeste, anunciou ter visto uma aparição na Grande Pedra na noite anterior, gerando reações mistas — alguns moradores faziam sinais de proteção enquanto outros a chamavam de louca.

Janis, a anciã da vila

Homero tomou as rédeas da situação, propondo reforçar as patrulhas e as torres de vigia e evitar a floresta por um ou dois dias antes de retomar as caçadas em grupos maiores e mais protegidos. Ira compartilhou o que sabia sobre os Crinwin, estabelecendo que as criaturas eram predominantemente noturnas, o que tornava o ataque durante o dia ainda mais alarmante. Foi então que Lívia apareceu entre a multidão, desesperada, procurando pela pequena Sara em todos os cantos da vila sem encontrá-la. Robin, pálida, revelou que havia comentado com a menina sobre a coleira esquecida na cabana de Ira, e que Sara provavelmente havia descido sozinha até a borda da floresta para buscá-la.

Ira desceu correndo até sua cabana e encontrou um cenário perturbador. A horta estava completamente destruída, com as alfacinhas jogadas para os lados e marcas profundas no chão indicando que algo havia sido arrastado. No caminho, ela encontrou a bolsinha de bugigangas de Sara jogada num canto — a menina jamais a deixaria para trás voluntariamente. Ira voltou para contar aos demais o que havia encontrado, e a confirmação do sequestro caiu sobre o grupo como uma pedra. Hilde, o irmão mais velho de Sara, se juntou imediatamente à expedição de resgate, e Luna se voluntariou para ir junto. Homero, lembrando da promessa que havia feito a Otto de proteger Luna, decidiu acompanhar o grupo sem hesitar.

Hilde, braço direito de Homero

O grupo se preparou rapidamente para a jornada. Homero vestiu sua armadura e pegou seu escudo e espada, pronto para um possível confronto com os Crinwin. Ira preparou seus cachorros e seu sachê sagrado, enquanto Luna reuniu seus talismãs e parafernália mística, incluindo a poderosa pedra que carregava no pescoço — uma gema azul fosca que havia encontrado nas ruínas dos Makers tempos atrás. Com os cachorros de Ira farejando o rastro de Sara, o grupo adentrou a Grande Floresta.

O que os esperava dentro da mata era perturbador. Não havia canto de pássaros, não havia esquilos subindo nas árvores, não havia qualquer sinal de vida animal — apenas um silêncio antinatural que pesava sobre o grupo como uma mortalha. Ira, familiarizada com a floresta, percebeu que a folhagem estava estranhamente seca para o início da primavera, como se algo tivesse sugado a vida da vegetação, e que os galhos rangiam de forma sinistra mesmo sem qualquer vento. Conforme o grupo avançava, pedras espalhadas no chão começaram a aparecer — características das antigas construções dos Makers —, indicando que estavam se aproximando das ruínas. Foi então que Luna olhou para baixo e viu que o talismã de pedra azul no seu pescoço, antes completamente fosco, estava brilhando e se tornando translúcido de uma forma que ela jamais havia visto antes, pulsando em resposta a algo antigo e poderoso que aguardava nas profundezas da floresta silenciosa.

Por Daniel Anand

Daniel Anand, engenheiro, pai de gêmeas e velho da Internet. Seu primeiro de RPG foi o GURPS Módulo Básico, 3a edição, 1994. De lá para cá, jogou e mestrou um pouco de tudo, incluindo AD&D, Star Wars d6, Call of Chuthulu, Vampire, GURPS, Werewolf, DC Comics (MEGS), D&D 3-4-5e, d20 Modern, Star Wars d20, Marvel Superheroes, Dragonlance SAGA, Startrek, Alternity, Dread, Ars Magica, 13th Age e atualmente mestro Pathfinder 2E. @dsaraujo no twitter

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